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André Fróes – Investidor como profissão e propósito

André Fróes – Investidor como profissão e propósito
Andrea Bigaiski
dez. 1 - 10 min de leitura
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Em entrevista a JUPTER, o parceiro master André Fróes fala a respeito da sua caminhada desde que se tornou investidor em startups até chegar a um portfólio de mais de 60 empresas investidas.

 

Qual é o caminho a ser percorrido para investir em startups? Quais dificuldades iniciais podem existir? Como se manter ativo e reduzir riscos na hora de fazer escolhas dentro desta modalidade?

Essas são perguntas que muita gente se faz quando pensa em diversificar suas opções de investimentos.

Então, nada melhor que ouvir as respostas de alguém que viveu essa jornada, errou, aprendeu e acabou acertando tanto que continua apostando – e cada vez mais.

Quem compartilhou sua experiência nesse modelo de aplicação foi o André Fróes. Ele é CEO da aceleradora Cotidiano, Master Venture Partner de JUPTER e participa do programa Investor Trek de formação de investidores.

Não perca esta leitura que, certamente, vai esclarecer muitas dúvidas e até mesmo desfazer mitos comuns sobre investimentos em startups!

 

O EXECUTIVO SEDUZIDO PELAS STARTUPS

André trabalhou em gigantes de tecnologia no Brasil, China e Estados Unidos. Tinha uma carreira executiva consolidada na área de TI, até que começou a perceber o movimento das startups, empresas menores, mais enxutas, mais ágeis, com mais propósito e que entregavam valor mais rapidamente que essas as estruturas tradicionais. Nasceu ali o desejo de se aproximar daquele ecossistema que, até então, era novo para ele. 

Depois de atuar em multinacionais que vinham para o Brasil conquistar clientes, por que não fazer o inverso?

A partir disso, em parceria com outros executivos e empreendedores, começou a investir nessa área e estar próximo dos fundadores dessas empresas. O envolvimento foi imediato, pensando na ideia de exportar tecnologia e construir empresas mais inspiradoras para se trabalhar.

 

UM NOVO PROPÓSITO

Havia um objetivo comum entre eles, “aumentar o número de investidores e fundadores e alavancar esse processo de transformação da nossa economia e da nossa sociedade”.

A experiência deu tão certo que se tornou atividade profissional. Como CEO da Cotidiano, André já investiu em mais de 60 startups, tem um portfólio de sucesso e ainda se dedica a dar suporte a novos empreendedores para fazerem a estruturação ideal de seus negócios e aumentar as chances de êxito e de conquistar aportes financeiros.

Quanto maior é o envolvimento com esse mercado, mais conhecimento se adquire e, assim, maior é a contribuição para compartilhar, afirma. 

“É uma jornada de muito aprendizado. Eu me coloco nesta posição de estar aprendendo sempre com o ecossistema, com outras pessoas, isso é a riqueza desse ambiente.”

 

OS PRIMEIROS INVESTIMENTOS

O começo das aplicações foi entre 2013 e 2014, com alguns aportes sem técnica e orientação e, consequentemente, alguma perda de capital. “Chegamos a fazer pequenos investimentos sozinhos, sem estrutura, sem entender o que estava sendo feito. Tínhamos pouca ideia do que era realmente a jornada de montar uma empresa de base tecnológica do zero, e fomos aprendendo.”

Para encurtar a curva de aprendizado, André e os parceiros buscaram uma formação fora do Brasil, já que naquela época não havia programas aqui no país, como o Investor Trek. Participar dela acelerou a preparação de todos e levou mais consistência para dentro da Cotidiano. 

A atual tese de investimento definida por eles contempla o objetivo de atuar com 70 empreendimentos em cinco anos, catorze a cada doze meses. O perfil buscado é de empresas na fase inicial, privilegiando o uso de tecnologias emergentes - tendo ou não a tecnologia, mas contando com a oportunidade de usá-la. 

Neste momento, estão prestes a encerrar o último ciclo dessa meta, sendo que para chegar a esse número, foram analisados cerca de quatro mil projetos. Porém, com o tempo e a experiência, o funil passa a ser cada vez mais rigoroso, o que leva a uma melhoria dessa taxa de escolha. 

 

O POTENCIAL DOS INVESTIMENTOS EM STARTUPS NO BRASIL

Os números no país crescem a cada ano, além de haver esforços concentrados em fomentar esse mercado, como a missão de JUPTER criar 100 mil postos de trabalho em 10 mil startups apoiadas por 100 mil investidores.

Com relação a esse cenário, André é otimista considerando o enorme espaço existente para crescimento. Trata-se de um universo gigante para ser explorado e construído. “Outro ponto de vista é que startup atua com problemas, e aqui ainda existe muito a ser resolvido, um cenário rico para experimentar e transformar vários serviços. Essa transformação está acontecendo. Tem grandes empresas puxando a transformação digital no Brasil, nas áreas financeira, de educação, de saúde. São mercados que estão se transformando muito rapidamente e vão puxar outros. Então, quando as grandes se transformam, isso acontece muitas vezes adquirindo startups que começaram a desafiar o status quo. Assim, a roda gira. Eu vejo um cenário de recorde atrás de recorde.” 

 

APRENDIZADOS PARA O INVESTIDOR

A partir da formação e das experiências práticas, André ressalta os principais pontos para receberem atenção especial no início da trajetória:

 

1.Separar o papel de investidor do papel de sócio

Segundo ele, é comum que haja um ímpeto de envolvimento na operação, levando a uma atuação de “investidor-operador”. O ideal é agir como smart money, fazendo apenas orientação, e não executando no dia a dia, mesmo que o time seja carente disso. Inclusive, é importante que o investidor escolha um bom time que não necessite tanto dessa operação, permitindo a ele contribuir mais estrategicamente.

 

2.Ter clareza das questões jurídicas

Conhecer os instrumentos, entender a relação legal, estudar como estabelecer garantia para ambos os lados, estar consciente da expectativa de retorno do capital, em quanto tempo acontecerá, inteirar-se da lógica de valorização de longo prazo. Eles iniciaram sem esses conhecimentos, sem saber como seria o próximo passo, mas saber de tudo isso é crucial.

 

3.Estabelecer uma rede de apoio e trocas

Sem contatos e parcerias não é possível ter a esteira completa. Hoje, um tema surgiu como essencial: diante de uma oferta maior de startups, o olhar precisa estar mais apurado para reconhecer e diferenciar as ofertas.

Nesse sentido, é uma grande vantagem estar inserido no ecossistema, pois os grupos e redes de interação passam a ser determinantes para trocar experiências e informações de mercado, enfim, tudo o que possa mitigar o risco da decisão.

 

4.Construir uma tese

Com o aumento da oferta, construir uma tese oferece um norte de escolha. “O que eu vejo hoje é que os empreendedores também evoluíram muito, eles estão mais seguros de como é o processo de fundraising e têm muito mais traquejo para seduzir os investidores. Se você seguir tudo o que considera bom, vai haver uma oferta infinita. Então, definir uma tese que tenha a ver com o que você pode entregar ou com o que consegue analisar mais profundamente é a principal questão.” A tese, de acordo com ele, pode ser construída a partir de cenário de mercado, tecnologia proposta, estágio de maturidade etc. O importante é definir esse conjunto de critérios.

 

5.Ter uma relação de convivência com os fundadores

Outra questão fundamental é estar ao lado dos fundadores, conversar com eles e entender a sua performance. André lembra que a bagagem profissional e de vida de cada um leva à criação de parâmetros para definir o que é um bom profissional. Porém, nem sempre esses fundamentos se aplicam para analisar um bom empreendedor. Nesse sentido, a convivência vai ajudar a quebrar crenças e estabelecer novos níveis de avaliação. 

Esse convívio pode acontecer a partir de um trabalho de mentoria e atuações como advisers, ainda que sem necessariamente haver remuneração. 

 

6.Participar do ecossistema

O ecossistema tem suas regras de convívio, princípios próprios, até mesmo uma forma particular de falar. Quem está entrando nesse mercado precisa se expor para visualizar como funciona a dinâmica. “É um ambiente muito mais colaborativo, onde as trocas são esperadas, são normais. Eu indico participar dos eventos e conversar com as pessoas, principalmente no início. É tudo sobre pessoas. Se você não tiver uma boa rede, vai entrar ali sem entender muito o que está acontecendo.”

 

7.Ir para a prática: investir

Fazer a aplicação em si é um passo significativo, mesmo que de forma moderada. “Tem que ‘fazer o cheque’, sentir o friozinho de colocar o investimento. Com cautela, mas somente aí muda a chave.”

 

PARCERIA PARA COMEÇAR A INVESTIR

As histórias e experiências que André viveu nesta trajetória também são contadas por ele dentro da formação para investidores desenvolvida por JUPTER, o Investor Trek, na qual participa como mentor e palestrante.

Ele incentiva a participação no programa: “Essa é uma jornada que não pode ser solitária. O founder e o investidor não podem estar sozinhos. Oportunidades como o Investor Trek trazem esse ambiente para conhecer outras pessoas, trocar ideias, ressignificar crenças. São vários compartilhamentos de experiências, erros e acertos. Quem está começando pode aprender com quem já passou um pouco mais de tempo na jornada, mas que também está aprendendo. É um espaço em que você também traz sua bagagem, onde você fala democraticamente, de igual para igual. No final, é um grupo de pessoas querendo fazer o bem, entregar valor. Vale a pena participar. Essa jornada pode ser mais dolorosa sem esses aprendizados. O melhor é aprender compartilhando.”

Para André, investir em startups vai muito além das possibilidades de ganho financeiro. “Aqui é outra pegada, tem propósito e valor, é gratificante. É uma oportunidade para ressignificar muita coisa, construir novas empresas que geram impacto positivo, deixam nosso dia a dia mais leve e promovem relações com os colaboradores mais saudáveis e menos tóxicas.”

 

Gostou de todas essas dicas? Assista à entrevista completa no nosso canal no YouTube, e se inscreva para receber notícias e informações sobre o ecossistema JUPTER de startups e investidores.


 


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